
"Marcas do Tempo"...
O Júri da 5ª Corrida Fotográfica de Monchique, realizada em 12 de Setembro de 2009, atribuiu o 1º prémio do tema "Marcas do Tempo" a esta fotografia.
Obrigado.


"Marcas do Tempo"...
O Júri da 5ª Corrida Fotográfica de Monchique, realizada em 12 de Setembro de 2009, atribuiu o 1º prémio do tema "Marcas do Tempo" a esta fotografia.
Obrigado.

O pôr-do-sol é sempre um espectáculo a não perder.
A Praia da Amoreira, no nosso vizinho concelho de Aljezur, é uma das preferidas de alguns de nós. Com toda a razão.
Para além da sua beleza natural, das suas águas límpidas e da sua localização fora do bulício da costa sul do Algarve, pode-se retardar o regresso a casa e disfrutar dum pôr-do-sol magnífico seguido dum crepúsculo indescritível.
Foi o que fiz numa tarde destas, já de Outono, mas ainda com temperaturas que desafiam o Verão recentemente terminado.

Nada melhor para descontrair do que assistir ao pôr-do-sol na Praia da Amoreira.

A borboleta cauda-de-andorinha é uma das mais vistosas.
A borboleta cauda-de-andorinha (papilio machaon) não é das mais frequentes mas é, seguramente, uma das mais vistosas que por cá aparecem.
Nos últimos dias deste Verão, apesar das flores já não abundarem, esta ainda esvoaçava pela encosta norte da Fóia aproveitando um dia de grande luminusidade e muito calor.

O escaravelho da batateira tem um apetite voraz. Come de noite e de dia.
O escaravelho da batateira (Leptinotarsa decemlineata), na sua fase larvar, é o arqui-inimigo do produtor de batatas.
Nos batatais que não sejam 'tratados' com o pesticida adequado, aparecem aos milhares e consomem todas as partes verdes da batateira, dum dia para o outro, no seu voraz apetite de 24 horas por dia.
À distância, parecem pequenos morangos maduros, mas, ao perto, têm este aspecto até se transformarem naqueles vistosos besouros amarelos com listas pretas que, em pouco tempo e enquanto houver batateiras verdes, irão dar origem a uma nova geração....

Os besouros acasalam e começam a pôr ovos na face inferior das folhas da batateira.

No Verão, as amoras silvestres surgem aos cachos por todo o lado.
A silva, um arbusto que tantas vezes nos importuna com os seus picos, também nos brinda com um fruto interessante.
Não tem grande utilidade nem é muito apreciado, mas não deixa de ser agradável olhar para um silvado, no rigor do verão, e observar quão bonita esta planta é, carregada com os seus frutos que produz em grande quantidade.
De facto, os agricultores tradicionais costumavam dizer que para algumas plantas infestantes não havia mau tempo. Esta era uma delas.
Na minha juventude, havia o hábito de comermos estas amoras, mais por graça do que pelos seus atributos. E sabiam bem...

Embora se assemelhem ao fruto da amoreira, nada têm a ver com ela.

Ao solposto, por vezes, veêm-se flamingos na Ria de Alvor.
Há um bando de flamingos - reduzido, diga-se - que costuma aparecer pela Ria de Alvor.
No fim de tarde dum dia solarengo, parei por uns momentos observando-os a tomarem a última refeição do dia, até que este decidiu levantar voo, sòzinho, e seguir uma rota frontal ao sol que se escondia por detrás dos arbustos.

Interior da Mesquita/Catedral de Córdoba.
A Mesquita de Córdoba, com mais de mil anos de existência, - transformada em Catedral Católica desde a conquista da cidade pelos cristãos, no século XIII - é uma das obras mais significativas da arquitectura árabe na Península Ibérica.
Chegou a ser a terceira maior mesquita do mundo, sendo superada apenas pelas de Meca e de Casablanca. Nesses tempos, Córdoba era considerada a cidade mais próspera da Europa.
Certamente já todos a visitaram, mas nunca é de mais realçar a sua grandiosidade e beleza, e expressar a admiração que sinto por tão doutos engenheiros e arquitectos de antigamente.

A torre da Mesquita/Catedral de Córdoba por entre as plantas do seu jardim.

Na Primavera, os melros fazem ninhos até à nossa porta...
Os melros nidificam em todo o lado, até mesmo à nossa porta em qualquer planta que lhes agrade para o efeito. Não é o caso deste ninho, que encontrei num bosque, bem longe do mundo citadino, em cima duma pequena oliveira, a não mais de dois metros de altura.
Para além do canto melodioso, das penas pretas brilhantes e do bico amarelo do macho, na época de reprodução, outra coisa que sempre me cativou nesta ave tão abundante no campo e na cidade são os seus ovos, que a fêmea põe num ninho bem arquitectado, embora não tão confortável como o de outras pequenas aves.
A sua tonalidade de azul é algo que me encanta.

O Noitibó é uma ave nocturna que poucos conhecem
Há por cá duas variedades de Noitibó. Um é o europeu ou cinzento, o outro é o de nuca vermelha. Dizem que são muito parecidos. Não sei se estão representados nestas duas fotografias.
O que sei é que são aves nocturnas que se alimentam de insectos que apanham em vôo - repare no tamanho desproporcionado da boca e nos "bigodes" à sua volta que lhes facilitam essa actividade... - e que o seu canto é um pouco estranho, fazendo lembrar a vibração dos ralos em noites de calor ou mesmo o coaxar das rãs.
O seu nome científico - caprimulgus - terá a ver som a crença dos antigos de que ordenhava as cabras durante a noite e o seu mimetismo é do mais perfeito que se possa imaginar. De dia, é quase impossível descobri-los.
Põem os ovos directamente no chão, numa pequena cova, sem fazer ninho e há quem diga, por desconhecimento, que os transportam entre as patas quando voam..

O Noitibó pode ver-se no campo nas noites de verão

Os "Asas de Portugal" no Portimão Air Festival.
Um festival aéreo proporciona-nos sempre grande variedade de imagens espectaculares. O Portimão Air Festival de 2009 não foi excepção. Por vezes, a dificuldade está na escolha...
Se quiser ver mais algumas fotografias deste evento, visite: Slideshow Picasa do 2º Festival Aéreo de Portimão - 2009 ou Galeria Refóias do 2º Festival Aéreo de Portimão - 2009

Um gafanhoto estranho. No mínimo...
Podem-no achar feio, repugnante ou até mesmo assustador, mas o que lhes posso garantir é que se trata duma criatura amistosa, delicada e quase indefesa que, certamente, camufla esses atributos com esta máscara aterradora.
Mas não deixa de ser um gafanhoto invulgar...

Flor de Primavera e o seu polenizador
Na Primavera, podemos facilmente observar a cooperação entre flores e insectos. Poder-se-ia dizer que há uma interessante simbiose em que as flores fornecem o alimento e os insectos prestam os serviços.
E todos procuram caprichar no seu colorido como forma de atracção. Neste caso, ambos são vistosos q.b.

O Farol e o Vulcão dos Capelinhos.
Este farol assistiu aos acontecimentos de 1957/1958, anos em que o Vulcão dos Capelinhos esteve em actividade, pondo em polvorosa a Ilha do Faial, nos Açores.
Para além de neutralizar o farol, engolir os dois ilhéus dos Capelinhos e acrescentar aqueles dois morros à ilha, destruíu grande quantidade de casas de habitação e campos agrícolas nas redondezas e provocou o êxodo de mais de metade da população da Ilha do Faial que, na altura, tinha cerca de 30.000 habitantes.
Milagrosamente, não houve vítimas mortais.

Lagartixa ibérica, um réptil vulgar, mas lindíssimo.
Na primavera e verão, assim que o sol aparece e aquece o solo, é frequente saltar-nos qualquer coisa quase debaixo dos pés e esconder-se numa toca da pedra mais próxima ou em qualquer outro buraco onde se sinta protegida.
É, muitas vezes, uma lagartixa ibérica (podarcis hispanica) que, por se deslocar a grande velocidade, ser relativamente pequena e, em alguns casos, também por ser réptil, não temos oportunidade de apreciar devidamente.
Aqui deixo este lindíssimo exemplar que posou para a fotografia com toda a naturalidade.

Bufo-Real, o maior de todos os mochos
No Badoca Safari Park, Vila Nova de Santo André, entre muitos outros animais, podemos observar algumas rapaces.
Na sua apresentação ao público, para mim, sobressai o Bufo-Real, o maior de todos os mochos.
De grande envergadura e com um voo silencioso, elegante e extremamente eficaz, é impressionante vê-lo evoluir entre os puleiros e o seu tratador.

O Bufo-Real voa com enorme elegância e eficiência

Lagarto-de-água (lacerta schreiberi), uma espécie ameaçada em Portugal
O lagarto-de-água, um dos mais bonitos lagartos que por cá andam, tem a sua população em risco. Na verdade, no Algarve, é apenas conhecido na Serra de Monchique.
Este exemplar vive na encosta norte da Picota, numa zona bastante fria e húmida, à beira duma nascente de água e dum chafariz.
Se encontrar algum dos seus parentes, proteja-o. É um animal lindo, indefeso e útil ao homem. Alimenta-se sómente de insectos e outros pequenos invertebrados.

Deste botão nasce a flor do cardo
Muito frequentemente, é das plantas mais agrestes que surgem as flores mais bonitas.
Neste caso, o botão do cardo, ainda por abrir e mostrar a lindíssima flor que esconde no seu interior, já exala uma rude beleza.

Um Escuteiro nas alturas do Navete
Um Escuteiro, de mapa na mão, manifesta o seu sentimento de vitória subindo a uma rocha quase no cimo do Cerro do Navete.
Após uma subida íngreme desde o Barranco do Banho, Caldas de Monchique, quem não se sentiria assim liberto ao atingir um ponto alto na sua caminhada para a Vila...

Processionária do pinheiro.
A processionária ou lagarta do pinheiro, na sua fase larvar, apresenta-se assim: tão bonita quanto perigosa.
Nesta época do ano saem, às dezenas ou mesmo centenas, dos ninhos de teia presos nos ramos de pinheiro e dirigem-se em procissão para o chão à procura dum local adequado onde se escondam agrupadas em monte, tapadas por caruma, folhas secas e terra, para passar à fase seguinte.
O contacto com os seus pelos provoca alergias graves aos humanos e outros animais que, no caso dos cães, chega a levar à morte, por asfixia, devido ao inchaço da língua e vias respiratórias.
Portanto, muito cuidado com os pinheiros no final do inverno...

Em Fevereiro os lírios já florescem.
A Primavera está a um mês de distância, grandes manchas de verde surgem pelos campos, muitas plantas acordam da sua letargia invernal.
Porém, os lírios já florescem...

Sementes de tabua voando ao sabor do vento
A tabua entrega as suas sementes ao vento para que este as leve a germinar em local distante.

Figuras em pedra na Malhada Velha - Loulé
No Sítio da Malhada Velha, próximo da cidade de Loulé, há um conjunto de formações rochosas cujas formas permitem à imaginação criadora do visitante transportá-lo para as mais variadas visões, sejam elas de seres humanos, animais reais ou virtuais e símbolos de natureza diversa, num misto de sonho e vivência mística.
Para os amantes de ritos exotéricos e outras crenças que a boa vontade do português castiço permite que ainda persistam neste debutante século XXI, parece ser o local ideal para sentir e carregar as energias ocultas que, supostamente, exalam com grande abundância e generosidade daquelas rochas.

Figuras em pedra na Malhada Velha - Loulé
No mínimo, não deixa de ser um espectáculo impressionante. Apreciar o trabalho que a mãe natureza lá fez é um excelente exercício de descontracção e fruição da beleza estética daquelas formas que, como em qualquer outra obra de arte, ficam ao critério de cada um dos visitantes.
Se quiser ver mais algumas fotografias, visite a Galeria da Malhada Velha clicando aqui.

Uma garça branca na zona ribeirinha
Uma garça branca aproveita a baixa-mar para se passear pelos lodaçais da zona ribeirinha.
E procurar alimento, claro...

Chaminé algarvia no Cerro da Zorra - Tavira
No Cerro da Zorra, como em muitos outros locais do interior algarvio, podemos ainda apreciar este belo exemplar de chaminé algarvia. Numa casa abandonada, claro.
Até quando esta antiga casa em ruínas continuará a ostentar um dos símbolos dos nossos antecessores na sua acção de povoamento e sobrevivência no território rural?

Casa em ruínas no Cerro da Zorra - Tavira
Para além do telhado, as próprias paredes exteriores já iniciaram o processo de desmoronamento...

O Autódromo do Algarve visto da Fóia
O Autódromo do Algarve, construído na Pereira, zona limítrofe dos concelhos de Portimão e Monchique, é uma obra de que todos os algarvios e, em especial, os habitantes daqueles dois municípios se podem orgulhar.
Portimão está de parabéns por, mais uma vez, tomar a dianteira e se afirmar como um município de progresso e modernidade.

A oliveira de jardim tem uma flor interessante
A flor da oliveira de jardim, para além de uma cor atraente, apresenta órgãos reprodutores abundantes e bastante sugestivos.

Um espectacular exemplar de aranha
Uma aranha vistosa e com uma envergadura fora do comum na nossa região, aguarda, pacientemente, na sua teia, a oportunidade de prender um qualquer insecto desprevenido que nela se emaranhe.
Vertente norte da Fóia, nas proximidades do Penedo do Buraco e Barranco do Preto.

Camaleão, uma espécie em perigo
Certamente, não será apropriado apelidar este simpático bicho de camaleão algarvio, mas, como o encontrei no Algarve, mais concretamente na zona de Olhão, é assim que o chamo.
O seu verdadeiro nome, classificação, etc, etc, fica para quem sabe disso, que não é o meu caso.
O que sei acerca dele é que faz parte duma espécie já relativamente rara na nossa região e em perigo de extinção, devido, como de costume nestas coisas, ao "avanço da civilização e do progresso".
Por isso, há que protegê-lo. E protegê-lo é deixá-lo em paz e liberdade no seu ambiente natural.
Se encontrar algum, não lhe mexa, não o leve para casa. Deixe-o continuar pachorrentamente o seu caminho. E, vá lá, tire-lhe um fotografiazinha como eu fiz e chega...


Vista aérea norte da Montanha do Pico
Fazendo parte das ilhas das quatro estações diárias, a Ilha do Pico não podia deixar de apresentar essa curiosa característica de, no espaço de 24 horas e com curtos intervalos, nos brindar com as mais diversas situações meteorológicas.

O Pico visto da própria Ilha, na zona do Cachorro
O Pico visto da cidade da Horta
O seu majestoso e imponente Pico, o mais alto de Portugal, com 2.351 metros de altitude, avista-se a grande distância, embora, por vezes, fique totalmente escondido por entre as nuvens.

Vista aérea sul da Ilha do Pico
O Pico em vista aérea sul
Observado da própria Ilha ou das ilhas vizinhas do Faial ou de S. Jorge é paisagem obrigatória, mas, visto "de cima", em viagem aérea, com o seu deslumbre totalmente à nossa mercê, transporta-nos a uma outra dimensão.

O macaco-de-gibraltar é o único que vive em liberdade na Europa
Diz a tradição popular de Gibraltar que, enquanto os macacos não se extinguirem lá, o rochedo continuará sob o domínio de sua majestade. Talvez, por isso, as autoridades inglesas lhe dediquem tanta atenção.
É o único macaco que vive em liberdade na Europa, mas não se sabe ao certo como terá aparecido naquele local. A explicação comumente mais aceite é a de que terão sido os militares britânicos a trazê-lo do Norte de África nos primeiros tempos de ocupação do Rochedo.
Trata-se de um animal bastante simpático, mas, por vezes, um pouco atrevido para com os turistas que o visitam.
De facto, não se inibe de saltar para cima dos carros, onde se equilibra com grande à vontade, e, quando lhe surge a oportunidade, chega a subtrair objectos que, distraidamente, sejam transportados ao seu alcance.
Veja mais algumas fotos na Galeria dos Macacos de Gibraltar.

Pisco-de-peito-ruivo, uma ave (ainda) abundante na Serra de Monchique
No final do verão, aparecem por todo o lado. Os que vêm de fora - do norte e centro da europa - juntam-se aos que nidificam por cá.
Têm uma alimentação variada constituída principalmente por insectos, minhocas e outros pequenos invertebrados, mas também apreciam frutos maduros como o medronho ou a baga do folhadeiro.
É uma das aves mais bonitas e amistosas da nossa região mas, infelizmente, muito predada pelo homem devido à sua ingenuidade, sendo facilmente apanhado em armadilhas. Ilegais, obviamente.
Deixo aqui a minha homenagem ao pássaro que mais terá marcado a minha juventude. Nem sempre pelas melhores razões.

Medronho, um fruto característico da Serra de Monchique
Na Serra de Monchique, com o Outuno, os medronhos começam a amadurecer e, embora a azáfama da sua apanha que se verificava há umas décadas atrás tenha desaparecido, ainda se vê, aqui e além, um ou outro amante da boa aguardente com o balde de plástico pendurado ao ombro (dantes era um cesto de verga nos homens ou um arregaço nas mulheres...) de volta dos medronheiros, resistindo à inexorável tendência dos tempos modernos de desdém pelas nossas tradições...
Para além da nostalgia que me trazem ano após ano, proporcionam-me sempre a oportunidade de passar algum tempo no mato esquecendo as amarguras da vida enquanto faço o gosto ao dedo com a máquina fotográfica em punho.

Uma flor invulgar de hibisco
Um dia destes, encontrei esta flor de hibisco - também conhecida por rosa-da-china - num jardim de amigos, que, efusivamente, manifestavam o seu orgulho pela raridade da sua cor e textura, de facto, invulgares. Não pude deixar de a "registar".
Quem sabe, talvez seja o resultado de uma qualquer manipulação genética, facto tão vulgar nos tempos que correm...

O Gato Faísca no seu observatório...
O Gato Faísca, do meu amigo Tó Zé, adora subir ao telhado e, do seu posto de observação predilecto, apreciar, imperturbável, a coberto da discreção que o lugar lhe faculta, o que se passa cá por baixo.
Foi aí que o apanhei, nesta vez, na sua posição habitual e com a concentração que o momento exigia...

Arganel, o piercing dos porcos modernos...
(fotografia obtida no decurso da Via Algarviana, próximo da Portela de Messines)
Embora se trate de um costume muito antigo, este de colocar um arganel no focinho dos porcos para os impedir de fossar, a perfeição deste exemplar trouxe-me à memória o que muita gente moderna por aí tem feito nos últimos anos, embora, frequentemente, em partes do corpo ainda menos aconselháveis.
Neste caso, é para o bicho fossar menos ou nada. Será que, no caso dos humanos, também terá por finalidade a redução da actividade desses órgãos ou partes corporais?...

Para que não se perca ou deserte...
Ao percorrer a Via Algarviana, numa pequeníssima povoação do Concelho de Alcoutim, chamada Corte da Seda, encontrei uma reduzida manada de vacas, guardadas por uma senhora de idade avançada.
Para não se tresmalharem e serem facilmente dominadas, a chefe de fila estava adornada com um sonoro chocalho, uma peia e ainda um pau em forma de forca pendurado ao pescoço.
Todas as restantes dispunham dos mesmos adornos, com excepção do chocalho...

Quantos estados de alma estampados num olhar...
Quem poderá resistir à inocente malícia, à graciosidade e à nostalgia estampadas no olhar duma criança, quem sabe, frutos da clausura de um postigo mas também da segurança que para ela representa em relação ao agressivo mundo exterior?...

Alguns insectos procuram a flor da alcachofra para obter alimento.
Chegou a Primavera e, com ela, floresce a maioria das plantas dos nossos campos. Como esta alcachofra silvestre tão rica em beleza quanto abundante em espinhos. Não é, de facto, "flor que se cheire"... Mas o seu colorido, em tons de rosa-lilás, cativa o olhar de qualquer um.

Na Costa da Luz, rumando a...
Numa tarde de brisa ligeira, na imensidão de um mar de azuis, um pequeno barco à vela corta as águas da costa algarvia, solitário, numa pachorrenta viagem rumo ao ocaso, sabe-se lá se com que real destino - o Cabo de S. Vicente?... -, qual caravela do Infante em início de viagem de demanda das Índias.

Em Portimão, a antiga Praça da República foi tranformada nesta mini-alameda...
Quem não se lembra da antiga Praça da República, em Portimão, com o edifício dos Bombeiros, a praça da verdura, a praça do peixe e a praça ao ar livre - todos degradados ao máximo e obsoletos para a finalidade a que se destinavam - e o Colégio dos Jesuítas igualmente a cair aos bocados?...
Pois, agora, nesse mesmo espaço, temos uma mini-alameda com um pequeno espelho de água, repuxos e árvores, ainda jovens, mas já interessantes; o Colégio dos Jesuítas recuperado exteriormente e em recuperação no interior; vista para a Igreja Matriz, pintada a condizer com o Colégio.
Dá gosto passar por lá...

Em Faro, a cegonha da torre da Sé diverte-se imitando o cata-vento...
Numa tarde pré-primaveril de Março, o casal de cegonhas que ocupa a torre da Sé de Faro demarca o seu território e defende-se das tentativas de invasão de outro casal concorrente.

Em manobras acrobáticas, perseguindo um concorrente...
Foi interessante verificar como aquelas aves, habitualmente tão pachorrentas, também sabem assumir atitudes agressivas para expulsar estranhos da proximidade da sua residência de primavera/verão, quando necessário.

O casal residente sobrevoando o seu território...
Quando senhoras da situação, sobrevoavam a área como que em missão de reconhecimento, sob o olhar da estátua de D. Francisco Gomes do Avelar, ilustre Bispo do Algarve do século XVIII.

Os insectos acodem ao aparecimento das primeiras flores de esteva.
E, já agora, por falar em proximidade da Primavera, aqui deixo uma flor de esteva. Das mais temporãs, porque a grande maioria tem os botões em crescimento e as flores só aparecerão dentro de algumas semanas.
Por serem ainda raras, são visitadas, assiduamente, por inúmeros insectos que disputam - por vezes, com alguma agressividade - o direito a se abastecerem de pólen. Como sucede com a vespa e a abelha deste caso.
A vespa, instalada e senhora da situação, levou sempre a melhor.
Pudera... A abelha, com os porões carregados daquela maneira, deve ter a facilidade de manobra fortemente limitada. Para já não falar da maior agressividade natural da adversária...

A glicínia prenuncia a Primavera revelando os seus botões
A glicínia é uma planta que me fascina. Desde que acorda e inicia a sua "faina", ainda o Inverno não terminou, até que resolve adormecer, muitos meses depois, quando a temperatura ambiente volta a descer significativamente, é, sistematicamente, alvo da minha curiosidade.
Tudo nela é um exemplo de optimismo, alegria, apego à vida e de aproveitamento do que esta tem de belo. Num vaso, alegrete, canteiro ou mesmo transformada em bonsai, todos os anos segue a sua caminhada num ciclo invariável de fruição que se inicia agora.
A sua capacidade de adaptação, mesmo em situações adversas, a facilidade em se desenvolver e regenerar, a prontidão com que, camada após camada, nos presenteia com as suas encantadoras flores, sempre abundantes e de rara fragrância, são admiráveis.
Este ano, mais uma vez, está de volta. Com este botão que desabrochará, transformando-se num cacho de flores. Como sempre.

A batateira, para além das batatas, também dá esta lindíssima flor...
É apreciador de batatas? Eu adoro-as... Aliás, a generalidade dos monchiqueiros, nos quais me incluo, não as dispensa na sua alimentação diária.
Cozidas, fritas, assadas, num jantar de feijão, de milhos ou de grão, com couve branca ou negra, num assado, de "molho frio" ou acompanhando azeitonas britadas ou conservadas de qualquer outra forma...
Durante o século XX, transformaram-se na base da alimentação dos habitantes da Serra de Monchique, logo que a castanha rareou, tomando o seu lugar juntamente com o pão de trigo.
Actualmente, os hábitos alimentares da região já se modificaram - como tantas outras coisas - adaptando-se, inevitavelmente, à modernidade.
Para todos, mas, em especial, para aqueles que nunca se tenham apercebido da beleza das suas flores, aqui deixo esta fotografia tirada nas proximidades da Amorosa.

Sortelha - Torre sineira vista da porta do castelo
Sortelha, maravilha granítica da Beira Interior, é uma das mais belas e mais bem conservadas aldeias históricas portuguesas.
Totalmente construída em granito, situa-se no concelho do Sabugal, não muito afastada da Serra da Estrela.
Das inúmeras fotografias possíveis, seleccionei esta pela curiosidade da torre sineira se encontrar separada da igreja e ter sido construída num rochedo sobranceiro a esta.
O seu acesso faz-se pelo lado oposto, dificultando, certamente, o trabalho do sacristão, pessoa já de alguma idade mas de muito mais simpatia, que, em simultâneo, é também presidente da Junta de Freguesia, por, segundo ele, os homens da povoação escassearem, quase se contando pelos dedos das mãos.
Veja aqui alguns dados sobre a história de Sortelha.

Flor de amendoeira
Todos os anos, mais ou menos nesta altura, as amendoeiras brindam-nos, aqui no Algarve mas também noutras regiões, com o festival das suas flores.
É um lugar comum afirmar-se que vêm sempre mais cedo que no ano anterior, mas, se não se tratasse de árvores, seria caso para dizer que isso já se transformou num hábito arraigado.
Pelos vistos, também as plantas já foram atingidas por essa praga dos humanos que dá pelo nome de stress.
Preocupante realidade esta para todos os que, de uma forma mais científica ou mais empírica, percebemos que o clima já não é o que era e as alterações verificadas nos últimos anos, duma forma tão acentuada, não prenunciam nada de bom.

Gaivota
Esta gaivota, apesar da deformação grave que apresenta na pata esquerda, não parece minimamente afectada. Mostra-se como se nada de anormal se passasse com ela e não exige qualquer estatuto especial para a sua condição.
Compete em pé de igualdade com qualquer outra, apresenta-se em boas condições físicas e anímicas, não aparenta ter complexos nem preconceitos de qualquer natureza. Em suma, faz-se à vida e é feliz. E por que não?
Tomemos-lhe o exemplo.

Gaivota
Também as restantes gaivotas que com ela convivem a tratam de igual para igual e não a discriminam - aliás, nem reparam que ela tem a pata deformada. E deixam-na fazer-se à vida e ser feliz. E por que não?
Tomemos-lhe também o exemplo.

Auto-Retrato
À falta de um melhor motivo, nada mais oportuno do que o fotógrafo se retratar a si próprio no ambiente em que melhor se sente.
Entre o Céu e a Terra, envolvido pela Natureza e de costas para uma tal "modernidade", "progresso" ou lá o que lhe queiram chamar.
A "casinha" que se vê ao fundo é a recepção dum campo de golf algarvio.

Camuflagem natural
Neste tanque da Corte Grande, como em tantos outros abandonados por toda a Serra de Monchique, as rãs encontram o ambiente ideal para se camuflarem e, assim, poderem apresar os pequenos animais de que se alimentam e que, imprudentemente, se aproximem.
E fazem-no quase tão bem como muitos que por aí há que, com exemplar manha e despudor, vão, dissimuladamente, lançando poeira para os olhos dos incautos que se esqueçam de questionar a veracidade das suas palavras, a correcção das suas atitudes e a legitimidade das suas insinuações.
Um excelente 2008 para todos.

-----------Para todos,
Feliz Natal---------------------
e
----------------------Bom Ano